Dr. Joabe Carneiro, urologista

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Infertilidade masculina: investigar a causa antes de escolher o tratamento.

Quando o casal tenta e não consegue, a investigação costuma começar e terminar nela. Mas o fator masculino participa de cerca de metade dos casos, e boa parte dessas causas tem tratamento. Descobrir onde está o problema é o que encurta o caminho.

Dr. Joabe Carneiro, urologista

O que muda ao avaliar o homem desde o início

O que muda, na prática, quando a avaliação masculina entra junto com a dela, e não meses depois.

Os resultados variam conforme a causa encontrada e as condições clínicas do casal, e são discutidos na consulta.

Metade dos casos envolve o homem

O fator masculino participa de cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar, e por isso não faz sentido deixá-lo por último.

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Começa por um exame simples

A avaliação inicial é consulta, exame físico e espermograma. Nada invasivo, e o resultado já orienta o caminho.

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Tempo é o recurso mais escasso em fertilidade

Descobrir cedo onde está a causa poupa o recurso mais caro que existe em fertilidade, que é o tempo.

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Pode evitar a fertilização

Boa parte das causas tem tratamento clínico ou cirúrgico. Nem todo casal precisa partir para reprodução assistida.

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Por que o homem costuma ser o último a ser avaliado

Existe um roteiro que se repete. O casal tenta por um tempo, não consegue, e ela procura o ginecologista. Vêm os exames dela, os ciclos monitorados, às vezes um tratamento inteiro. Meses depois, alguém sugere que ele faça um espermograma.

Esse atraso tem custo, e o custo é o tempo, que em fertilidade é o recurso mais caro que existe. Quanto mais tarde se descobre um fator masculino, menos margem sobra para tratá-lo com calma antes de partir para caminhos mais complexos.

A infertilidade é considerada quando o casal tenta por doze meses sem gravidez, ou por seis meses quando ela tem mais de 35 anos. A partir daí, os dois devem ser avaliados ao mesmo tempo. Não em sequência, ao mesmo tempo. A avaliação masculina começa por um exame simples e barato, e por isso não há razão para deixá-la por último.

O que costuma estar por trás

As causas mais frequentes do fator masculino, e o que cada uma significa na prática.

Varicocele

Dilatação das veias que drenam o testículo, comparável a uma variz. É a causa tratável mais comum de infertilidade masculina. O aumento de temperatura na região prejudica a produção dos espermatozoides, e a correção cirúrgica é feita por microcirurgia.

Alterações no espermograma

Quantidade baixa, movimento reduzido ou formato alterado dos espermatozoides. O espermograma não é um veredito: ele varia de uma coleta para outra, e por isso costuma ser repetido antes de qualquer conclusão.

Azoospermia

Ausência de espermatozoides no sêmen. Existem dois tipos, e a diferença muda tudo: quando há bloqueio no trajeto, com produção preservada, e quando a produção no testículo é que está comprometida. Mesmo neste segundo caso, ainda é possível encontrar espermatozoides dentro do testículo.

Alterações hormonais

Testosterona e outros hormônios que regulam a produção de espermatozoides. Um detalhe importante: repor testosterona por conta própria, buscando desempenho ou massa muscular, reduz a produção de espermatozoides e é causa frequente de infertilidade em homens jovens.

Obstruções no trajeto

Bloqueios nos canais que transportam os espermatozoides, decorrentes de infecções antigas, cirurgias prévias ou alterações de nascimento. A produção está preservada, mas o caminho de saída está fechado.

Vasectomia prévia

Quando o homem fez vasectomia e mudou de planos, a conduta é a reversão por microcirurgia, ou a recuperação de espermatozoides. Esse caso tem página própria, com o detalhe do procedimento.

Ver a página de reversão de vasectomia

Como é a investigação

Simples, rápida de começar e sem procedimento invasivo na primeira etapa.

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Consulta e história

Há quanto tempo estão tentando, gestações anteriores, cirurgias prévias, infecções, uso de medicamentos, anabolizantes ou suplementos, exposição a calor e a produtos químicos no trabalho. Boa parte das pistas aparece nessa conversa.

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Exame físico urológico

Avaliação dos testículos, do epidídimo e dos canais, que é onde a varicocele e as obstruções costumam ser identificadas. É um exame de consultório, sem preparo.

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Espermograma

O exame central da avaliação. Analisa quantidade, movimento e formato dos espermatozoides. Como o resultado varia entre coletas, costuma ser repetido antes de qualquer conclusão, e a coleta segue orientações específicas de abstinência e transporte.

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Exames complementares

Conforme o achado, entram dosagens hormonais, ultrassonografia da bolsa escrotal com doppler e, em casos selecionados, avaliação genética. Cada exame é pedido por um motivo, e o motivo é explicado.

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Conduta definida em conjunto

Com o quadro fechado, a conversa passa a ser sobre as opções: tratamento clínico, correção cirúrgica, recuperação de espermatozoides ou encaminhamento para reprodução assistida. Sempre considerando também a avaliação da sua companheira.

Azoospermia não é ponto final

Receber um espermograma dizendo que não há espermatozoides no sêmen soa como o fim da linha, e é assim que a maioria dos homens recebe essa notícia. Mas o exame mostra o que sai, e não o que é produzido.

Quando o problema é uma obstrução no trajeto, a produção no testículo está preservada e os espermatozoides podem ser recuperados diretamente do epidídimo ou do testículo, por técnicas específicas, para uso em reprodução assistida. Em alguns casos, a própria obstrução pode ser corrigida cirurgicamente.

Mesmo quando a produção está comprometida, ainda é possível encontrar áreas do testículo com produção preservada, por meio de uma busca feita sob microscópio. É por isso que a azoospermia precisa ser investigada antes de qualquer conclusão sobre o futuro do casal.

Os caminhos de tratamento

Definidos pela causa encontrada, e não pelo tempo de tentativa.

Tratamento clínico

Correção de alterações hormonais, tratamento de infecções, suspensão de substâncias que prejudicam a produção e ajustes de hábitos com efeito conhecido sobre a fertilidade. É a conduta inicial em boa parte dos casos.

Correção cirúrgica

Microcirurgia para correção de varicocele, reconexão de canais obstruídos e reversão de vasectomia. São cirurgias de estruturas milimétricas, feitas sob microscópio, em que a técnica define o que é possível.

Recuperação de espermatozoides

Coleta direta do epidídimo ou do testículo, inclusive com busca sob microscópio, para uso em reprodução assistida. É o caminho quando não há espermatozoides no sêmen mas existe produção a ser encontrada.

Dr. Joabe Carneiro

Dr. Joabe Carneiro

Urologista há mais de 20 anosMédico. CRM-BA 17.642 · RQE 6.422Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia

Vinte anos de urologia, com formação em cirurgia robótica no exterior.

O Dr. Joabe de Oliveira Carneiro atua em urologia há mais de vinte anos e dedica parte da prática cirúrgica à via robótica.

Possui certificação internacional em cirurgia robótica, tendo concluído o Basic Robotic Surgical Course no Florida Hospital Nicholson Center, nos Estados Unidos. É certificado como Console Surgeon no Sistema Cirúrgico Robótico da Vinci, pela Intuitive Surgical no centro de excelência INSIMED, em Bogotá, Colômbia.

Graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Traumatologia no Hospital Heliópolis (SP) e especialização em Urologia no Hospital Brigadeiro (SP).

É Coordenador do Programa de Residência em Urologia do Hospital Central Roberto Santos, contribuindo diretamente para a formação de novos especialistas na área, e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais.

Atende no Hospital da Bahia, na Pituba, em Salvador.

Perguntas frequentes

As dúvidas que mais aparecem no consultório sobre infertilidade masculina.

A partir de quanto tempo tentando devo procurar ajuda
Doze meses de tentativa sem gravidez, com relações regulares e sem contracepção. Quando a sua companheira tem mais de 35 anos, esse prazo cai para seis meses. Havendo histórico de cirurgia, infecção, trauma ou alteração conhecida, não há razão para esperar.
Espermograma alterado significa que não posso ter filhos
Não. O espermograma varia bastante de uma coleta para outra, e é justamente por isso que costuma ser repetido antes de qualquer conclusão. Além disso, alteração no exame indica onde investigar, e boa parte das causas encontradas tem tratamento.
Infertilidade tem a ver com impotência
São coisas diferentes. Fertilidade é a capacidade de gerar um filho. Ereção e desempenho sexual são outra função. É perfeitamente possível ter vida sexual normal e ter alteração na produção de espermatozoides, e esse é o cenário mais comum no consultório.
Tomo testosterona na academia. Isso atrapalha
Sim, e é uma das causas mais frequentes em homens jovens. A testosterona reposta de fora sinaliza ao organismo que não é preciso produzir, e a produção de espermatozoides cai junto. O efeito costuma ser reversível com acompanhamento, mas leva tempo, e por isso vale informar o uso já na primeira consulta.
Varicocele sempre precisa de cirurgia
Não. A indicação depende do grau da varicocele, do resultado do espermograma e do contexto do casal. Existem casos acompanhados sem cirurgia. Quando há indicação, a correção é feita por microcirurgia.
Minha companheira precisa vir junto
A avaliação dela corre em paralelo, com o ginecologista, e as duas informações se juntam na hora de decidir. Vir junto à consulta ajuda, porque a decisão é do casal e boa parte das dúvidas é dos dois.
Vou obrigatoriamente precisar de fertilização
Não necessariamente. Depende inteiramente da causa encontrada. Há casos que se resolvem com tratamento clínico, outros com correção cirúrgica, e outros em que a reprodução assistida é o caminho mais direto. Essa definição vem depois da investigação, e não antes dela.
Como é a coleta do espermograma
É feita em laboratório, com orientação prévia sobre o período de abstinência e sobre o transporte quando a coleta é domiciliar. Essas orientações são passadas na consulta, porque seguir corretamente muda o resultado do exame.

Marque a sua consulta

Traga exames anteriores, inclusive espermogramas antigos, e a lista de medicamentos e suplementos que usa. Se possível, venha com a sua companheira, porque a avaliação é do casal.