Quando o casal tenta e não consegue, a investigação costuma começar e terminar nela. Mas o fator masculino participa de cerca de metade dos casos, e boa parte dessas causas tem tratamento. Descobrir onde está o problema é o que encurta o caminho.

O que muda, na prática, quando a avaliação masculina entra junto com a dela, e não meses depois.
Os resultados variam conforme a causa encontrada e as condições clínicas do casal, e são discutidos na consulta.
O fator masculino participa de cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar, e por isso não faz sentido deixá-lo por último.
A avaliação inicial é consulta, exame físico e espermograma. Nada invasivo, e o resultado já orienta o caminho.
Descobrir cedo onde está a causa poupa o recurso mais caro que existe em fertilidade, que é o tempo.
Boa parte das causas tem tratamento clínico ou cirúrgico. Nem todo casal precisa partir para reprodução assistida.
Existe um roteiro que se repete. O casal tenta por um tempo, não consegue, e ela procura o ginecologista. Vêm os exames dela, os ciclos monitorados, às vezes um tratamento inteiro. Meses depois, alguém sugere que ele faça um espermograma.
Esse atraso tem custo, e o custo é o tempo, que em fertilidade é o recurso mais caro que existe. Quanto mais tarde se descobre um fator masculino, menos margem sobra para tratá-lo com calma antes de partir para caminhos mais complexos.
A infertilidade é considerada quando o casal tenta por doze meses sem gravidez, ou por seis meses quando ela tem mais de 35 anos. A partir daí, os dois devem ser avaliados ao mesmo tempo. Não em sequência, ao mesmo tempo. A avaliação masculina começa por um exame simples e barato, e por isso não há razão para deixá-la por último.
As causas mais frequentes do fator masculino, e o que cada uma significa na prática.
Dilatação das veias que drenam o testículo, comparável a uma variz. É a causa tratável mais comum de infertilidade masculina. O aumento de temperatura na região prejudica a produção dos espermatozoides, e a correção cirúrgica é feita por microcirurgia.
Quantidade baixa, movimento reduzido ou formato alterado dos espermatozoides. O espermograma não é um veredito: ele varia de uma coleta para outra, e por isso costuma ser repetido antes de qualquer conclusão.
Ausência de espermatozoides no sêmen. Existem dois tipos, e a diferença muda tudo: quando há bloqueio no trajeto, com produção preservada, e quando a produção no testículo é que está comprometida. Mesmo neste segundo caso, ainda é possível encontrar espermatozoides dentro do testículo.
Testosterona e outros hormônios que regulam a produção de espermatozoides. Um detalhe importante: repor testosterona por conta própria, buscando desempenho ou massa muscular, reduz a produção de espermatozoides e é causa frequente de infertilidade em homens jovens.
Bloqueios nos canais que transportam os espermatozoides, decorrentes de infecções antigas, cirurgias prévias ou alterações de nascimento. A produção está preservada, mas o caminho de saída está fechado.
Quando o homem fez vasectomia e mudou de planos, a conduta é a reversão por microcirurgia, ou a recuperação de espermatozoides. Esse caso tem página própria, com o detalhe do procedimento.
Simples, rápida de começar e sem procedimento invasivo na primeira etapa.
Há quanto tempo estão tentando, gestações anteriores, cirurgias prévias, infecções, uso de medicamentos, anabolizantes ou suplementos, exposição a calor e a produtos químicos no trabalho. Boa parte das pistas aparece nessa conversa.
Avaliação dos testículos, do epidídimo e dos canais, que é onde a varicocele e as obstruções costumam ser identificadas. É um exame de consultório, sem preparo.
O exame central da avaliação. Analisa quantidade, movimento e formato dos espermatozoides. Como o resultado varia entre coletas, costuma ser repetido antes de qualquer conclusão, e a coleta segue orientações específicas de abstinência e transporte.
Conforme o achado, entram dosagens hormonais, ultrassonografia da bolsa escrotal com doppler e, em casos selecionados, avaliação genética. Cada exame é pedido por um motivo, e o motivo é explicado.
Com o quadro fechado, a conversa passa a ser sobre as opções: tratamento clínico, correção cirúrgica, recuperação de espermatozoides ou encaminhamento para reprodução assistida. Sempre considerando também a avaliação da sua companheira.
Receber um espermograma dizendo que não há espermatozoides no sêmen soa como o fim da linha, e é assim que a maioria dos homens recebe essa notícia. Mas o exame mostra o que sai, e não o que é produzido.
Quando o problema é uma obstrução no trajeto, a produção no testículo está preservada e os espermatozoides podem ser recuperados diretamente do epidídimo ou do testículo, por técnicas específicas, para uso em reprodução assistida. Em alguns casos, a própria obstrução pode ser corrigida cirurgicamente.
Mesmo quando a produção está comprometida, ainda é possível encontrar áreas do testículo com produção preservada, por meio de uma busca feita sob microscópio. É por isso que a azoospermia precisa ser investigada antes de qualquer conclusão sobre o futuro do casal.
Definidos pela causa encontrada, e não pelo tempo de tentativa.
Correção de alterações hormonais, tratamento de infecções, suspensão de substâncias que prejudicam a produção e ajustes de hábitos com efeito conhecido sobre a fertilidade. É a conduta inicial em boa parte dos casos.
Microcirurgia para correção de varicocele, reconexão de canais obstruídos e reversão de vasectomia. São cirurgias de estruturas milimétricas, feitas sob microscópio, em que a técnica define o que é possível.
Coleta direta do epidídimo ou do testículo, inclusive com busca sob microscópio, para uso em reprodução assistida. É o caminho quando não há espermatozoides no sêmen mas existe produção a ser encontrada.

Vinte anos de urologia, com formação em cirurgia robótica no exterior.
O Dr. Joabe de Oliveira Carneiro atua em urologia há mais de vinte anos e dedica parte da prática cirúrgica à via robótica.
Possui certificação internacional em cirurgia robótica, tendo concluído o Basic Robotic Surgical Course no Florida Hospital Nicholson Center, nos Estados Unidos. É certificado como Console Surgeon no Sistema Cirúrgico Robótico da Vinci, pela Intuitive Surgical no centro de excelência INSIMED, em Bogotá, Colômbia.
Graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Traumatologia no Hospital Heliópolis (SP) e especialização em Urologia no Hospital Brigadeiro (SP).
É Coordenador do Programa de Residência em Urologia do Hospital Central Roberto Santos, contribuindo diretamente para a formação de novos especialistas na área, e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais.
Atende no Hospital da Bahia, na Pituba, em Salvador.
As dúvidas que mais aparecem no consultório sobre infertilidade masculina.
Traga exames anteriores, inclusive espermogramas antigos, e a lista de medicamentos e suplementos que usa. Se possível, venha com a sua companheira, porque a avaliação é do casal.